Queridos irmãos e irmãs, saudações em Cristo Jesus!
Neste mês de junho ao celebrarmos a Romaria do Sagrado Coração de Jesus, padroeiro da nossa Diocese de Dourados, no Santuário Diocesano na vila São Pedro, vamos celebrar também a abertura do Ano Jubilar da mesma, que completará 70 anos em junho de 2027: Jubileu de Platina.
Caríssimos, diante da preparação para esta grandiosa festa, é importante fazer uma pequena retrospectiva histórica e religiosa desta caminhada pastoral diocesana, até então.
Lembramos que para qualquer pessoa que celebre uma data como esta tem muitas histórias bonitas, mas com certeza, passou por muitos desafios. Na Diocese de Dourados, não foi diferente. São 70 anos de uma longa caminhada pastoral.
A região da nossa diocese é evangelizada desde 1890 mais ou menos, com o Pós-Guerra do Brasil com o Paraguai. Pois, o Distrito de Ponta Porã, a nossa porção do Povo de Deus mais antiga da diocese, o qual pertencia ao Município de Bela Vista-MS, era evangelizado pelos Missionários Salesianos, que vinham da Paróquia Santo Afonso de Bela Vista-MS, para a Comunidade São José, do Distrito Ponta Porã. De lá, eles atendiam algumas regiões donde está a Diocese hoje. Contextualizando, a cidade e a paróquia mais antiga da Diocese de Dourados é Ponta Porã e a Paróquia é a São José que já completou mais de 100 anos. O município de Ponta Porã foi instituído em 1912 e a Paróquia São José, em 1924.
A evangelização em Dourados teve início por volta de 1927, com a presença dos Salesianos vindos da Paróquia São José, de Ponta Porã. A instituição da Paróquia Imaculada Conceição se deu em 1935, com a chegada dos franciscanos em Rio Brilhante. Por isso, celebramos, de forma muito bonita e profunda, os 90 anos da criação desta paróquia no ano passado, em 2025.
A Diocese de Dourados foi instituída em 1957, por determinação da Papa Pio XII. Podemos nos perguntar: o porquê da criação de uma diocese? Vejamos bem, todo o Estado do Mato Grosso do Sul, que na época pertencia ao Estado do Mato Grosso, tinha como sede eclesiástica a Diocese de Santa Cruz, de Corumbá-MS. Era uma região imensa, só com uma Circunscrição Eclesiástica (Diocese). Pois bem, em janeiro de 1944 foi instituído pelo Governo Federal, através do INDA (Instituto Nacional de Departamento Agrário, hoje o INCRA), a criação da colônia Agrícola Nacional de Dourados, o CAND. Com isso, houve uma migração e povoação muito forte nesta região do, hoje, Mato Grosso do Sul, com as famosas LINHAS. Era de fato uma imensidão de área sendo povoada e muita gente chegando de todos os cantos do Brasil. A diocese de Corumbá-MS, não tinha condições de cuidar da evangelização de tanta gente. Precisava de uma circunscrição eclesiástica mais próxima do povo migrante. Até porque, muitos destes vinham de várias regiões do Brasil e também do Paraguai, já com uma caminhada religiosa um pouco mais avançada. E aqui se misturavam tantas experiências de caminhada de Igreja, que precisava uni-las num só objetivo: caminhar juntos como Igreja de Cristo. Por isso, o famoso lema muito conhecido: Diocese do Coração, terra de todos os Povos.
Setenta anos depois, graças a Deus, temos uma diocese forte, missionária, comprometida com a evangelização. É a soma de muitas experiências religiosas de norte a sul do Brasil. Que o Sagrado Coração de Jesus nos dê a graça de continuarmos assim: deixando ser sempre evangelizados, para sermos evangelizadores.
Boa abertura do Ano Jubilar a todos nós!
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.
— Para sempre seja louvado!
Dom Henrique Aparecido de Lima, C.Ss.R.
Bispo da Diocese de Dourados (MS)