>
>
Domingo da Páscoa da Ressurreição do Senhor

Domingo da Páscoa da Ressurreição do Senhor

Que a alegria da Ressurreição encha os vossos corações e transforme o mundo através de vós.

Queridos irmãos e irmãs em Cristo, 

Aleluia! Cristo ressuscitou! Verdadeiramente ressuscitou! 

Hoje o céu e a terra se abraçam num único grito de alegria. O túmulo está vazio. A morte foi vencida. A vida explodiu em vitória. Não é uma história bonita para consolar corações tristes. É o fato mais revolucionário da história humana: Deus, em Jesus de Nazaré, destruiu para sempre o poder da morte e abriu para nós as portas da vida eterna. 

Vamos mergulhar, com o coração aberto, nas Leituras que a Igreja nos oferece neste dia santo, para que o Mistério da Ressurreição não fique apenas na liturgia, mas se torne carne e sangue na nossa vida de hoje.

O Evangelho (Jo20,1-9): O túmulo vazio e a fé que nasce correndo

Maria Madalena chega ao sepulcro “bem de madrugada, quando ainda estava escuro”. O escuro ainda cobre o mundo, mas ela não aguenta ficar parada. O amor a impulsiona. E o que encontra? A pedra removida. O túmulo vazio. Os lençóis enrolados, o sudário dobrado à parte. 

Pedro chega ofegante. João, o discípulo amado, chega primeiro, olha, vê e crê. Ainda não entendem plenamente as Escrituras, mas o coração já sabe: Ele não está aqui! Ele ressuscitou! 

Irmãos, este é o primeiro sinal da Páscoa: o vazio que grita presença. Onde antes havia morte, agora há espaço para a vida nova. Onde antes havia desespero, agora corre a esperança. Pergunto-vos hoje: e o nosso “túmulo” interior? Quantas vezes carregamos dentro de nós sepulcros fechados – mágoas, medos, pecados, desilusões? A Ressurreição de Jesus é o convite divino para correr, como aqueles discípulos, e descobrir que o Senhor já removeu a pedra pesada que nos prendia.

A Primeira Leitura (At 10,34.37-43): Pedro, o covarde transformado em testemunha

Pedro, que negou Jesus três vezes por medo, agora fala com a coragem dos ressuscitados. Diante de pagãos, ele proclama sem rodeios: “Deus ungiu a Jesus de Nazaré com a força do Espírito Santo… Eles o mataram, pendurando-o num madeiro. Mas Deus o ressuscitou ao terceiro dia… e nós somos testemunhas”. 

Notem: Pedro não fala de teoria. Fala do que viu, do que comeu e bebeu com o Ressuscitado. E o que ele anuncia? O perdão dos pecados para todo aquele que crê nele. Para todos! Não há exceção. Nem para o romano, nem para o pecador, nem para o descrente. 

Irmãos, esta é a segunda grande verdade pascal: a Ressurreição não é um evento privado de Jesus. É a boa notícia que explode para todos os povos. Pedro, que antes tinha medo do que os outros pensavam, agora não cala. E nós? Diante de um mundo que acha que a fé é coisa do passado, seremos nós testemunhas corajosas ou ficaremos mudos?

A Segunda Leitura (Cl 3,1-4): A vida nova que já começou

São Paulo nos ensina o “como viver” da Páscoa: “Se ressuscitastes com Cristo, aspirai às coisas do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus. Afeiçoai-vos às coisas do alto e não às da terra. Pois morrestes e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus”. 

Aqui está o coração do Mistério: a Ressurreição não é só de Jesus – é nossa! No Batismo fomos sepultados com Ele e ressuscitamos com Ele. A nossa verdadeira vida já está escondida em Deus. Por isso, não podemos mais viver como se a morte tivesse a última palavra. 

O que significa isso nas realidades de hoje? 

Num mundo marcado pela violência das ruas, pela desesperança dos jovens, pela corrupção que suga a vida do povo, pela solidão das famílias, pela indiferença que mata o amor – nós, ressuscitados, somos chamados a ser sinal vivo da vitória de Cristo. 

Aspirar às coisas do alto não é fugir da terra. É olhar a terra com os olhos de Deus. É ver no irmão que sofre o próprio Cristo que ressuscitou. É lutar pela verdade, pela justiça, pela paz, pela vida, com a certeza de que o mal não tem futuro. É perdoar quando tudo grita vingança. É levantar o caído quando o mundo o abandona. É cantar aleluia mesmo quando o coração sangra. Porque a nossa vida “está escondida com Cristo em Deus” – e ninguém pode roubá-la. 

Irmãos e irmãs, 

A Páscoa não termina hoje. Ela começa hoje. O túmulo vazio é o convite diário para uma vida nova. O Espírito que ressuscitou Jesus quer ressuscitar em nós a coragem, a esperança, a alegria, o amor sem medida. 

Que esta Eucaristia seja o momento em que, como o discípulo amado, olhamos o lençol dobrado da nossa vida antiga e acreditmos. Que saiamos daqui como Pedro: transformados, sem medo, anunciando a todos que Cristo vive! 

E que, no dia a dia de onde vivemos, o nosso testemunho faça ecoar a pergunta que o mundo inteiro precisa ouvir: 

Por que procurais entre os mortos Aquele que está vivo? Ele ressuscitou! 

Aleluia! Aleluia! Aleluia! 

Que a alegria da Ressurreição encha os vossos corações e transforme o mundo através de vós. Amém. 

Cristo ressuscitou! Verdadeiramente ressuscitou!


Dom Antonio Carlos Rossi Keller

Bispo de Frederico Westphalen (RS)

Catedral Santo Antonio – 05 de abril de 2026

Compartilhe

Notícias mais lidas

Notícias, Notícias Destaques
Notícias da Diocese, Notícias Destaques

Diocese

Palavra do Pastor

Palavra do Pastor

Notícias relacionadas

Notícias da Diocese

30 de junho de 2026

Continue navegando

Espiritualidade:

Sua experiência diária com a Palavra de Deus

Explore conteúdos que fortalecem sua caminhada e enriquecem
sua jornada de fé.

Receba as novidades da nossa Diocese

Inscreva-se em nossa newsletter e fique por dentro dos avisos, eventos e mensagens especiais da Diocese.