Fonte: ASLI – Associação dos Liturgistas do Brasil
P. Eduardo Nunes Pugliesi, scj*
A cidade de Ravenna, na região italiana da Emilia-Romagna, é conhecida como a capital dos mosaicos. Muitos exemplares deste tipo de arte, encontrados naquela cidade, foram considerados patrimônio da humanidade pela UNESCO. A nós interessa especialmente um conjunto de mosaicos presentes nas paredes da nave central da Igreja de Sant’Apollinare Nuovo. Na parede esquerda, existe uma procissão de Santas Virgens que têm à frente os três magos. Na parede direita, por sua vez, temos uma outra solene procissão de Santos Mártires. Além do fato de se dirigirem para a ábside da Igreja, onde se encontram os mosaicos majestosos de Cristo e de sua Mãe, as procissões têm um outro fator em comum: os Magos levam os presentes já conhecidos (cf. Mt 2,11), enquanto Virgens e Mártires caminham levando, como oferenda, as próprias coroas que são símbolos do seu testemunho de discipulado de Cristo. No fundo, estas coroas significam a própria vida destes santos oferecidas como sacrifício no altar em direção do qual eles caminham. Tais oferendas são consideradas tão sagradas que as Virgens e Mártires não ousam tocar nelas. Suas coroas são seguradas com um véu, demonstrando um costume muito presente nas procissões ofertoriais da segunda metade do século VI, período no qual tais mosaicos foram elaborados.
A arte presente em Sant’Apollinare Nuovo é apenas um exemplo da sensibilidade que a Igreja do primeiro milênio possuía acerca de sua participação no sacrifício eucarístico, como expressão sacramental de um sacrifício que envolve todo o Corpo de Cristo que é a Igreja e que, portanto, não é somente o sacrifício de Cristo-Cabeça[1]. Não seria, propriamente, isto que disse São Paulo, usando linguagem cultual para indicar o quanto a vida dos cristãos devesse ser uma existência inteiramente oferecida? De fato, ele afirma: “Eu vos exorto, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, a oferecerdes vossos corpos em sacrifício vivo, santo, agradável a Deus: é este o vosso culto espiritual.” (Rm 12,1). Evidentemente, São Paulo não estava sugerindo a ideia grosseira de sacrifícios rituais das vidas dos cristãos de Roma.
O apelo à linguagem sacrifical para tratar de coisas referentes à existência cristã, com todas as suas vicissitudes, é ao mesmo tempo uma bela metáfora e um ponto de conexão entre culto e vida. Trata-se, por isto, de uma metáfora muito conveniente, tanto da parte do autor (Paulo, que como judeu, conhecia o sistema sacrifical de Israel) como também da parte dos destinatários, isto é, a comunidade cristã de Roma, da qual faziam parte tanto judeus da diáspora, quanto pagãos, ambos convertidos ao Evangelho de Jesus Cristo. Os dois grupos de destinatários, possuem antecedente conhecimento acerca de sacrifícios rituais, cada qual a seu modo e de acordo com sua tradição religiosa precedente. Por isto, esta exortação paulina pôde chegar aos seus ouvidos e corações[2].
De fato, para citar um exemplo da antiguidade cristã, o texto da Traditio Apostolica (início do III século), quando descreve a celebração do Batismo daqueles que passaram pelo processo catecumenal, trata sobre a conveniência de que sejam propriamente os neófitos a fazerem a oferta no momento em que se inicia a Liturgia Eucarística. Eis o texto: “Os batizandos não trarão nada consigo, mas apenas o que se deve trazer para a Eucaristia. Pois é conveniente que aquele que se tornou digno ofereça, ao mesmo tempo, a oblação” (capítulo 20)[3].
Durante o período medieval, gradativamente, se foi perdendo o costume de realizar uma procissão ofertorial. Vários foram os fatores que levaram a esta mudança. Aos poucos, os fieis deixaram de produzir o próprio pão e o próprio vinho para apresentá-los. Além disso, é bastante conhecida a prática que se instalou no meio do clero, quando muitos sacerdotes (chamados “altaristas”) dedicavam-se a celebrar inúmeras missas, muitas delas sem a assistência dos fiéis. Estes fatores são suficientes para demonstrar o quanto a liturgia eucarística, na mentalidade popular, passou a ser considerada assunto privado do sacerdote. O desaparecimento gradativo das procissões ofertoriais era uma das consequências mais lógicas e automáticas deste processo. Podemos dizer que esta situação permaneceu imutada no Missal Romano de 1570, chegando, portanto, até o Concílio Vaticano II.
Esta condição, porém, mudou com a reforma operada pelo Concílio. Já na primeira versão da Instrução Geral sobre o Missal Romano, o parágrafo 80 indicava as coisas que deveriam ser preparadas sobre o altar: “Sobre o altar: um cálice, um corporal, um sanguinho (purificatório), e, quando apropriado, uma pala; uma patena e cíbórios se necessário, com o pão para a Comunhão do sacerdote, dos ministros e do povo; galhetas com vinho e água, a menos que todas essas coisas sejam apresentadas pelos fiéis no ofertório”. Esta última expressão da frase – a menos que todas essas coisas sejam apresentadas pelos fiéis no ofertório [4], demonstra a possibilidade de recuperação do antigo rito da procissão ofertorial. Na tradução brasileira da Editio Typica Tertia do Missal Romano, o parágrafo 73 da Instrução Geral apresenta uma informação sobre o rito ofertorial que supera o mero aspecto prático. Trata-se da seguinte frase: “É louvável que os fiéis apresentem o pão e o vinho que o sacerdote ou o diácono recebem em lugar adequado para serem levados ao altar. Embora os fiéis já não tragam de casa, como outrora, o pão e o vinho destinados à Liturgia, o rito de levá-los ao altar conserva a mesma força e significado espiritual.”[5]. Estes textos, além de apresentarem aspectos práticos relativos ao rito, fazem-nos ver a teologia que os inspira.
Gostaria, ainda de elencar dois outros setores da Liturgia Eucarística, sempre com o escopo de compreender um pouco mais o esquecido valor do sacrifício ofertorial. O primeiro é o conjunto de ritos entre o convite “Orai, irmãos e irmãs” (Orate fratres) e a oração “Sobre as oferendas” (Super Oblata). O segundo é o ato ofertorial que existe dentro de todas as anáforas romanas, tomando como exemplo uma delas.
Depois de fazer o oferecimento do pão e do vinho e a ablução, o sacerdote conclama a assembleia com os dizeres: “Orai, irmãos e irmãs, para que o meu e vosso sacrifício seja aceito por Deus Pai todo-poderoso”[6]. Quase nunca percebemos que esta frase já chama de “sacrifício” a oferta de pão e de vinho que apresentamos a “Deus Pai, todo-poderoso”. Seguindo meramente o senso comum – que não está errado, mas apresenta um conceito incompleto – os fieis costumam dizer que a missa é sacrifício porque é a expressão sacramental da morte de Jesus na cruz. E isto é plenamente verdadeiro! Um aspecto, porém, costuma não aparecer nas convicções de muitos fieis: a Santa Missa tem aspecto sacrifical, também porque é o sacrifício da Igreja. Evidentemente, a oração dirigida ao Pai e a ação do Espírito que Ele envia sobre o pão e o vinho, acaba por identificar os dois sacrifícios e fazê-los um só. Mas é necessário recuperar a consciência daquilo que é a parte da Igreja neste sacrifício. Afinal, disso dependerá a resposta da Esposa ao imenso amor do Esposo que por ela se entrega na Cruz.
Além disso, não pode passar despercebido o fato de que o texto latino, muito bem traduzido para o português, explicita claramente os oferentes: o sacerdote (meum/meu) e a assembleia (vestrum/vosso). A opção, tanto do latim quanto do português, de não colocar simplesmente “nosso sacrifício”, é uma gentileza da lex orandi que revela a nossa certeza de fé da Igreja: consideradas as peculiaridades de cada ministério, todos os batizados são chamados a oferecer a própria vida, e isto se torna sacramentalmente visível com a oferta sacrifical dos alimentos que Jesus mesmo escolheu: pão e vinho.
O ato de ofertar, portanto, não é coisa de pouca importância. Não se trata de coisa banal. Corremos o risco de banalizá-lo se, durante procissões ofertoriais, preferimos, por exemplo, apresentar símbolos que expressem mais a nossa “necessidade didática”, a apresentação de uma temática que queremos propor, do que propriamente um sacrifício. Para ser sacrifício, a coisa ofertada deve perder-se. O oferente não deve querer recuperá-la para si. Mesmo em sua simplicidade, pão, vinho, mantimentos para os pobres ou donativos para a manutenção da Igreja possuem uma referência à Páscoa de Cristo. Todas estas coisas “morrem” para a pessoa que oferta, ao mesmo tempo que promovem a vida da comunidade. Por isto, símbolos didáticos ou temáticos não deveriam ter lugar no denso e profundo gesto de ofertar. Eles “falam” a nós, mas não são verdadeira oferta.
Depois de considerar o rito ofertorial na sua dimensão histórica e normativa, é importante ver como essa teologia aparece no coração da Missa: as Orações Eucarísticas. Todas as Orações Eucarísticas Romanas[7] apresentam em seu texto a temática ofertorial. Gostaria, ainda, de tomar como exemplo a Oração Eucarística III que, apesar de ser uma criação pós-Vaticano II, possui uma teologia sacrifical e ofertorial em perfeita harmonia com o antiquíssimo e venerável Cânon Romano. Abaixo, apresentamos o trecho chamado “Celebrando agora, ó Pai” que vem logo após a Narrativa da Última Ceia, na Oração Eucarística III.
| Editio Typica Tertia
(Missal Romano promulgado pela autoridade do Papa Paulo VI e revisado por ordem do Papa João Paulo II — 2002) |
Tradução para o Brasil segundo a terceira Edição Típica do Missal Romano (2023) |
| Mémores ígitur, Dómine,
eiúsdem Fílii tui salutíferae passiónis necnon mirábilis resurrectiónis et ascensiónis in caelum, sed et praestolántes álterum eius advéntum[8], offérimus tibi, grátias referentes[9], hoc sacrifícium vivum et sanctum. |
Celebrando agora, ó Pai,
o memorial da paixão redentora do vosso Filho, da sua gloriosa ressurreição e ascensão ao céu, e enquanto esperamos sua nova vinda, nós vos oferecemos em ação de graças este sacrifício vivo e santo. |
Como podemos evidenciar, lendo o texto acima, a comunidade faz, logo após as palavras da Narrativa da Instituição Eucarística, um conjunto de atos importantes. Em atenção ao que disse Jesus na Última Ceia – Fazei isto em memória de mim[10] – este trecho das Orações Eucarísticas Romanas sempre contém uma ação memorial, evidenciada pelo substantivo plural mémores que identifica este status espiritual da assembleia e do ministro presidente. O objeto desta memória é o Mistério Pascal de Cristo[11].
Além da ação de fazer memória, existe uma outra importantíssima ação. Enquanto a Igreja faz o memorial da Páscoa de Cristo, ela oferece em ação de graças[12] “este sacrifício vivo e santo”[13]. Aqui, chegamos a uma fundamental conclusão: se seguirmos a teologia e a gramática da Liturgia Eucarística, desde o rito ofertorial nomeamos “sacrifício” a oferta do pão e do vinho realizada pelos fieis e oficiada pelo sacerdote[14]. Sem hesitação, podemos dizer que “este sacrifício vivo e santo” é esta oferta que a Igreja fez, isto é, o pão e o vinho. Portanto, é a gramática do texto que ainda não identifica a palavra “sacrifício” com a morte de Jesus. Este passo será dado na continuidade da Oração e será “chancelado” pelo Pai. Observemos:
| Editio Typica Tertia
(Missal Romano promulgado pela autoridade do Papa Paulo VI e revisado por ordem do Papa João Paulo II — 2002) |
Tradução para o Brasil segundo a terceira Edição Típica do Missal Romano (2023) |
| Réspice, quaésumus, in oblatiónem Ecclésiae tuae et, agnóscens Hóstiam, cuius voluisti immolatióne placári, concéde, ut qui Córpore et Sánguine Fílii tui refícimur, Spíritu eius Sancto repléti, unum corpus et unus spíritus inveniámur in Christo. | Olhai com bondade a oblação da vossa Igreja e reconhecei nela o sacrifício que nos reconciliou convosco;
concedei que, alimentando-nos com o Corpo e o Sangue do vosso Filho, repletos do Espírito Santo, nos tornemos em Cristo um só corpo e um só espírito. |
O que a Igreja pede aqui é uma operação espiritual que somente o Pai pode fazer: olhar para o sacrifício da Igreja, ou seja, a oferta de pão e de vinho, e reconhece-la como a Vítima cuja morte nos reconciliou com Ele.
É neste ponto, portanto, que a frugalidade e a simplicidade imensa da oferta sacrifical da Igreja alcança a mais alta dignidade. Não importa quão simples esta oferta seja. Ela, pela imensa bondade do Pai, é acolhida do mesmo modo como o Filho, em sua obediência até a morte, e por isto é profundamente agradável, é um sacrifício perfeito.
Conclusões Teológico-Pastorais
Ora, se o Pai leva tão a sério a oferenda de pão e vinho que a Igreja faz, assim também a assembleia celebrante deve zelar por apresenta-la sem distorções de sentido. “É desejo ardente na mãe Igreja que todos os fiéis cheguem àquela plena, consciente e ativa participação nas celebrações litúrgicas que a própria natureza da Liturgia exige e que é, por força do Batismo, um direito e um dever do povo cristão, ‘raça escolhida, sacerdócio real, nação santa, povo adquirido’(1 Pd 2,9; cfr. 2, 4-5)”[15]. Sem dúvidas, a participação ativa e consciente de todos os fiéis na Eucaristia deve passar por um rito ofertorial no qual, de quando em quando, ao menos em dias mais festivos, a assembleia possa apresentar os alimentos que Jesus escolheu e, com eles, fazer oblação da própria vida. Por isto, de nossa parte, não sugerimos nada de novo em comparação àquilo que a Constituição Conciliar Sacrosanctum Concilium e a Instrução Geral sobre o Missal Romano já indicaram: formar, através de iniciativas catequético-mistagógicas, a consciência do povo de Deus, acerca das duas nuances da dimensão sacrifical da Missa: sacrifício da Igreja e sacrifício de Cristo; retornar, ao menos em dias mais festivos, à prática da procissão ofertorial para que os fieis expressem ritualmente a oferta da Igreja em oração; evitar transformar a procissão ofertorial em um momento meramente didático, no qual símbolos e objetos são levados ao altar apenas para transmitir uma mensagem moral ou um ensinamento à assembleia. O ofertório não é uma catequese ilustrada, mas um verdadeiro gesto de oferta a Deus. Quando se perde de vista esse sentido sacrificial e a procissão se torna apenas um recurso pedagógico, corre-se o risco de esvaziar o rito daquilo que lhe é mais próprio: ser expressão viva da entrega dos fiéis a Deus, unidos ao único sacrifício de Cristo.
Estamos convictos de que a aplicação da reforma litúrgica promovida pelo Concílio Vaticano II precisa passar pela percepção e acolhida prática de elementos como a procissão ofertorial — tão tradicionalmente romana e já presente no antiquíssimo testemunho da Apologia I de São Justino[16], na Traditio Apostolica (início do século III), bem como na arte sacra dos mosaicos do primeiro milênio, citados no início deste artigo. Se não tomarmos a iniciativa de pôr em prática pastoral esta recuperação de elementos da antiga tradição litúrgica romana, tesouros como este permanecerão escondidos. Isso representará, certamente, um prejuízo ao povo de Deus, que ficará privado de uma compreensão mais completa da Eucaristia como sacrifício que une rito e vida.
Referências:
[1] Assim se expressa Righetti: “Os fiéis, no pão e no vinho que oferecem, pretendem dar-se a Deus, não em sentido individual mas coletivo; ou seja, enquanto membros do Corpo místico de Cristo, a Igreja, com a finalidade de manter firmes os vínculos de união com Cristo e de caridade fraterna entre si”. Tradução livre de: “I fedeli, nel pane e nel vino che offrono, intendono dare se stessi a Dio, non in senso individuale ma collettivo; in quanto cioè sono membri del Corpo mistico di Cristo, la Chiesa, allo scopo di mantenere saldi i vincoli di unione con Cristo e di carità fraterna tra di loro” (M. Righetti, Manuale di storia liturgica. La Messa, III, Àncora, Milano 1998, 306).
[2] O mesmo procedimento, a literatura paulina opera em Filipenses 2,17, usando o vocábulo leitourgia, de proveniência ritual, para expressar as vicissitudes existenciais do apóstolo: “ἀλλὰ εἰ καὶ σπένδομαι ἐπὶ τῇ θυσίᾳ καὶ λειτουργίᾳ τῆς πίστεως ὑμῶν, χαίρω καὶ συγχαίρω πᾶσιν ὑμῖν” (“Ainda que tenha de derramar o meu sangue sobre o sacrifício em homenagem à vossa fé, eu me alegro e vos felicito”)
[3] No corpo do texto está atradução livre de: “Baptizandi ne adducant secum ullam rem, nisi solum unusquisque adducit propter eucharistiam. Decet enim ut qui dignus effectus est offerat oblationem eadem hora” (cf. B. Botte, La Tradition Apostolique de saint Hippolyte. Essai de reconstitution, Aschendorff, Münster 1989, 44).
[4] Tradução de: “In abaco: calix, corporale, purificatorium et, pro opportunitate, palla; patena et pyxides si necessarire sunt, cum pane pro Communione sacerdotis, ministrorum, et populi; urceoli cum vino et aqua, nisi haec omnia a fidelibus ad offertorium praesententur.”.
[5] A mesma ideia se repete no parágrafo 140 da Instrução Geral sobre o Missal Romano (Terceira Edição para o Brasil): “Convém que a participação dos fiéis se manifeste através da oferta do pão e vinho para a celebração da Eucaristia, ou de outras dádivas para prover às necessidades da Igreja e dos pobres. As oblações dos fiéis são recebidas pelo sacerdote, ajudado pelo acólito ou outro ministro. O pão e o vinho para a Eucaristia são levados para o celebrante, que os depõe sobre o altar, enquanto as outras dádivas são colocadas em outro lugar adequado”.
[6] “Oráte, fratres: ut meum ac vestrum sacrifícium acceptábile fiat apud Deum Patrem omnipoténtem”.
[7] Podemos considerar, de modo geral, todas as anáforas do orbe católico, mesmo não romano.
[8] A menção ao advento glorioso de Cristo é novidade com respeito ao Cânon Romano e à Segunda Oração Eucarística. Escreve Vincenzo Raffa: “A Eucaristia é um momento privilegiado desta esperança. Ela é, ao mesmo tempo, prefiguração e antecipação do triunfo final de Cristo e inauguração do banquete eterno, porque quem participa deste banquete terreno possui, segundo a promessa de Cristo, a vida eterna (Jo 6,47-59”) [Tradução nossa de: “L’Eucaristia è um momento privilegiato di questa speranza. É simultaneamente prefigurazione e anticipazione del trionfo finale di Cristo e l’inaugurazione del convicto eterno, perché chi participa a questo convicto terrestre há, secondo la promessa di Cristo, la vita eterna (Gv 6,47-59)” (V. Raffa , Liturgia Eucaristica. Mistagogia della messa. Dalla storia e dalla teologia alla pastorale pratica, 740)].
[9] Afirma Raffa: “Mais uma vez constatamos que a ação de graças se realiza na oferta e que a oferta é ação de graças. É o ‘sacrificium laudis’ por excelência” [Tradução nossa de:“Ancora uma volta troviamo che il rendimento di grazie si attua nell’offerta e che l’offerta è rendimento di grazie. È il ‘sacrificium laudis’ per eccellenza” (Ibid., 741)].
[10] “Hoc facite in meam commemorationem”.
[11] No caso da Oração Eucarística III, paixão redentora do Filho, da sua gloriosa ressurreição e ascensão ao céu, e da segunda vinda pela qual, ainda, se espera.
[12] “gratias referentes”.
[13] “hoc sacrificium vivum et sanctum”.
[14] “Orai, irmãos e irmãs, para que o meu e vosso sacrifício seja aceito por Deus Pai todo-poderoso”
[15] Sacrosanctum Concilium 14.
[16] Da Apologia I, de São Justino de Roma (cap. 67): “3No dia que se chama do sol, celebra-se uma reunião de todos os que moram nas cidades ou nos campos, e aí se leem, enquanto o tempo o permite, as memórias dos apóstolos ou os escritos dos profetas. 4 Quando o leitor termina, o presidente faz uma exortação e convite para imitarmos esses belos exemplos. 5 Em seguida, levantamo-nos todos juntos e elevamos nossas preces. Depois de terminadas, como já dissemos, oferece-se pão, vinho e água, e o presidente, conforme suas forças, faz igualmente subir a Deus suas preces e ações de graças e todo o povo exclama, dizendo: ‘Amém’”.
*Mestre em Sacra Liturgia (Pontifício Instituto Litúrgico – Sant’Anselmo – Roma)
Doutorando em Teologia (Instituto de Liturgia – Faculdade de Teologia – Pontifícia Università dela Santa Croce – Roma)