Diocese De Dourados MS, Transforma Palavras Em Gestos De Cuidados Com Os Povos Indígenas

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Por Ir. Silvio - CNBB Regional Oeste1

A Igreja sempre está do lado dos mais vulneráveis. Aliás, não poderia ser cristã se não agisse assim. No momento em que a pandemia do COVID 19, avança de modo galopante pelo Brasil a fora aumentando a cada dia o número de mortes e de contaminação, a Diocese de Dourados, implementa a Campanha “TEMPO DE CUIDAR”  da CNBB, com um grande gesto concreto na proteção daqueles que mais precisam, e neste momento, são os nossos Irmãos Indígenas das Aldeias Jaguapirú e Bororo na Região da Grande Dourados.

Casa de Cursilho – Dourados MS

Indiferente a quem quer que seja, o Coronavirus não respeita, idade, classe social, credo ou etnia, por onde passa vai atacando a todos. E foi assim, que esse vírus chegou e foi tomando conta das aldeias em Dourados, onde vivem cerca de 16 mil Indígenas de várias etnias. Já foram confirmados cerca de 10 casos positivos para o COVID 19, que se permanecerem na convivência com os demais habitantes, poderão provocar um rápido contágio numa proporção impensável. Atento a isso, o Ministério Público na pessoa do Procurador da República, Dr. Marco Antônio Delfino de Almeida, mobilizou o Poder Público e a Igreja Católica para a providência de um espaço, que pudesse abrigar em quarentena, cerca de 50 pessoas das aldeias, que estiveram próximas daquelas que atestaram positivo.

O Ministério Público, solicitou e a Diocese na pessoa de seu Bispo, Dom Henrique Aparecido de Lima, colocou à disposição a Casa de Cursilho, por ser uma estrutura que tem hoje todas as condições de acolhida para até 150 pessoas. Para isso entrou em ação o Coordenador das Pastorais Sociais, Diácono Carlão e o senhor SUSUMU FUZIY, Presidente da Associação Beneficente Casa da Acolhida. Toda a logística de translado e manutenção das pessoas que estarão em isolamento social/quarentena, estará sob a responsabilidade da Secretaria Estadual da Saúde, e sempre monitorado pelo Conselho Indigenista Missionário – CIMI.

Sempre é tempo de cuidar. E a Igreja sempre fez isso, e muitas vezes sozinha, mas jamais se furta quando surgem emergências e urgências, que colocam em risco vidas, sem se importar de quem seja essa vida. A vida está acima de qualquer coisa, ideologias ou crença. E em tempo de cuidar, a Comunidade Cristã de Dourados, responde com presteza aos apelos, que chegam de qualquer lugar, e hoje, atende os Irmãos Indígenas, que precisam de um espaço para se curarem e protegem os seus da violência da pandemia.

A solidariedade está se tornando uma marca registrada neste momento tão difícil de nossa História como sociedade. E é em gestos como esse, da Diocese de Dourados, que além de se prontificar em acolher os Indígenas contaminados, já anteriormente assumiu junto aos seus fiéis, a campanha de alimentação, quando várias aldeias passavam por uma grande carência alimentar.

Nas celebrações de ontem (17/05), na Segunda Leitura, São Pedro nos exortava a darmos razões de nossa esperança, que em outras palavras, significa: dizer aos outros porque acreditamos em Jesus Cristo e procuramos seguir os seus passos. E a única motivação, pelo qual fazemos isso, é para vivermos, o novo mandamento, o mandamento do Amor, que não acontece no singular, mas sempre no plural, no coletivo, na vida em comunidade. É a comunidade dos crentes no seu jeito de viver, que evangeliza, que realiza o sonho de Deus, que quer que seus filhos sejam todos acolhidos e tratados com o mesmo amor.

E é assim, na solidariedade, no comprometimento com a vida do outro, principalmente dos mais frágeis, que o Reino vai abrindo espaço no coração das pessoas, e Jesus e  a sua mensagem vão fazendo morada no meio do seu povo. Em tempo de pandemia, porém é muito mais tempo de cuidado, de solidariedade  e de compaixão.

É “TEMPO DE CUIDAR”! É a hora do Amor! É o momento de a vida prevalecer acima de tudo. É tempo de ser a Igreja da caridade e da acolhida do outro, assim como ele é. e assim como a Diocese de Dourados, transforma palavras em gestos de cuidados com os Povos Indígenas, cada cristão, cada cidadão também pode e deve estender sua mão para acolher, quem neste momento precisa mais de cuidado.