Assessor da Comissão para a Vida e a Família da CNBB discursa em sessão solene na Câmara

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O assessor da Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), padre Crispim Guimarães dos Santos, falou no plenário da Câmara dos Deputados na manhã desta segunda-feira, quando foi realizada sessão solene em homenagem ao Dia Nacional de Valorização da Família.

Em seu discurso, levou o abraço do bispo de Rio Grande (RS) e presidente da Comissão para a Vida e a Família da CNBB, dom Ricardo Hoepers, e destacou a celebração da data e o destaque dado à instituição que é “célula mater da sociedade”.

Padre Crispim recordou a Semana Nacional da Família deste ano, que celebrou os 25 anos da Campanha da Fraternidade sobre a Família. “Da nossa parte, como muitos aspectos da vida social do nosso povo, especialmente os que estão na periferia, temos plena consciência de que nenhuma ação, seja da Igreja, seja do Estado, será eficaz na melhoria dos índices sociais se a instituição familiar continuar a ser menosprezada e atacada como instituição caduca, retrógrada”, pontou.

Para o assessor da CNBB, a família continua a ser chamada “a se aprimorar no amor, no respeito mútuo dos seus membros”. Tais atitudes, sustenta, serão “essenciais para a renovação e construção de uma verdadeira sociedade do bem-estar e de políticas públicas coerentes e capazes de, senão erradicar, ao menos baixar os indicadores alarmantes de violência, as mais variadas, consumo de drogas, comportamentos autodestrutivos”.

A sessão foi proposta pela deputada Chris Tonietto e teve participação de integrantes da Frente Parlamentar Católica, como o deputado Diego Garcia, que presidiu a sessão. Também esteve presente na cerimônia a ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves.

Leia o discurso na íntegra.

Para além de agradecer, é necessário parabenizar os parlamentares de ontem e de hoje por celebrarem e fazerem recordar a nação brasileira o valor dessa instituição tão querida, e hoje tão questionada: a família. Devemos lembrar que o dia 8 de dezembro também foi instituído como dia da família, em 1963. E em tantas outras ocasiões nós somos lembrados desta instituição. Por ocasião da morte do garoto João Hélio, de 6 anos, no Rio de Janeiro, em 2017, lá se vão 12 anos, o então senador Pedro Simon, que por tantos anos transitou nos corredores do Congresso Nacional, dentre tantas coisas sérias que disse, ressaltou que “em outros tempos, não tão distantes, os valores morais e culturais se construíam sobre o tripé escola, família e Igreja. Hoje, a escola foi sucateada, a família dilacerada, a Igreja excomungada”. O parlamento, com a instituição do Dia Nacional de Valorização da Família, através da Lei 12.647, recoloca na pauta a célula mater da sociedade.

Por 12 anos, no meu estado do Mato Grosso do Sul apresentei um programa de rádio falando com diversas pessoas sobre as problemáticas mais variadas da sociedade brasileira: violência, corrupção, a problemática da saúde, das drogas, das relações homem-mulher, pais e filhos. E neste programa as mais variadas autoridades do campo do saber ali se fizeram presentes. E sem a minha sugestão subliminar, quase todos, para não fechar a totalidade de 100%, apontavam que muitos desses problemas passam e se resolvem nas famílias. Não era um padre, um pastor, portanto alguém oriundo da dimensão religiosa que apontava isso, mas pessoas do campo da ciência.

No presente ano, a Semana da Família, celebrada no mês de agosto, que é promovida pela CNBB em todo o Brasil, todos os anos, neste ano voltou à pergunta da Campanha da Fraternidade de 1994 ‘A família, como vai?’. Da nossa parte, como muitos aspectos da vida social do nosso povo, especialmente os que estão na periferia, temos plena consciência de que nenhuma ação, seja da Igreja, seja do Estado, será eficaz na melhoria dos índices sociais se a instituição familiar continuar a ser menosprezada e atacada como instituição caduca, retrógrada, etc.

A família é o lugar onde, desde a mais tenra idade, faz nos aflorar as memórias afetivas, é o lugar do aconchego, do afeto, isto não significa a ausência de conflitos e diferenças, claro que muitos talvez pela complexidade atual não consigam vislumbrar este ideal de família. Porém, isso não deve ser motivo para desistir. Temos uma longa, frutuosa e rica tradição familiar. Ela, a família, continua a ser chamada a se aprimorar no amor, no respeito mútuo dos seus membros, atitudes tais que serão essenciais para a renovação e construção de uma verdadeira sociedade  do bem-estar e de políticas públicas coerentes e capazes de, senão erradicar, ao menos baixar os indicadores alarmantes de violência, as mais variadas, consumo de drogas, comportamentos autodestrutivos. Não renunciamos a família de cunho cristão, embora não nos achemos melhores que outras pessoas. Não negamos a nossa identidade construída sobre os valores do Evangelho que, aprofundados veremos, são universais e libertadores.